De que mais precisam os
poetas além da lua e das estrelas para iluminar
seus versos? De que mais precisam os cantores
além do amor para dar vida aos seus corações e
canções? De que mais preciso eu além de um barco
para velejar numa única gota de água límpida e
cristalina? Ainda que às vezes, assim como os
adictos, eu navegue à deriva, dentro de um
barquinho de papel.
Para mim, falar da recuperação em dependência
química é acreditar na transformação possível
desta única gota de água cristalina em um grande
oceano, onde seus movimentos, coordenados ou
não, o faz realizar a mais bela dança que o
universo pode presenciar, em seus diversos
ritmos e sons.
É também acreditar que o delicado e frágil
barquinho de papel, guiado até então apenas pelo
vento, é capaz de transformar-se numa grande e
bela embarcação que navega destemida em alto
mar, determinando sua rota, seu destino e, acima
de tudo, escolhendo em qual porto deseja se
ancorar.
É falar, sobretudo, no que eu acredito,
movimentando-me a favor da dignidade humana, do
respeito e amor ao próximo, da esperança e da
fé, valorizando e confiando que a recuperação é
uma possibilidade concreta e real.
Por isso é um universo dirigido principalmente
àqueles que buscam ou navegam em direção à
serenidade, à sobriedade e à paz, reinventando
sua história e resgatando sua própria vida.
É mais do que um simples ensaio. É um exercício
poético de liberdade e um convite à reflexão e à
ação.
Vocês são os meus convidados. É um prazer
recebê-los! Marília