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O Segredo de Alcoólicos Anônimos
Texto de
Leonardo Ramalho extraído do seu
livro O PASSAGEIRO®
Desde
a minha adolescência, mas precisamente aos 15 anos de idade, comecei a
ter um comportamento exagerado com a bebida alcoólica, porém a
progressividade do meu alcoolismo foi lenta. Contudo, o meu
desequilíbrio emocional decorrente do abuso do álcool se tornou meu
companheiro de copo a partir do primeiro porre, pois em cada dose que eu
bebia estava sempre presente o tempero das vaidades. Portanto, quando
parei de beber aos 33 anos de idade, percebi que muitos dos meus
sentimentos ainda estavam bêbados e a isso eu chamei de ressaca
espiritual, encontrando alívio através do exercício do 4º Passo de A.A
que é chamado também de Inventário Moral, onde encontrei a coragem
necessária para enfrentar a virtude do perdão. Exercício este, que
considero o maior desafio do ser humano.
Ao entrar no A.A. o
orgulho foi meu primeiro oponente que comecei a combater, aceitando com
consciência que sou um alcoólatra, bem como portador de uma doença
chamada alcoolismo, que não tem cura, mas que pode ser interrompida
desde que eu evite o primeiro gole. A primeira sugestão de AA: “Evite o
primeiro gole”, sugere também evitar a primeira dose de orgulho, da
impaciência e da intolerância, até que possamos “beber” doses de
virtudes como forma de libertação da culpa. Assim, “evitando o primeiro
gole” sou recompensado pela sobriedade, que favorece à calma e me conduz
à serenidade necessária para abrir uma janela para a alma, onde convivo
com meu passado sem medo de construir o homem novo que há em mim.
Logo que parei de beber
me defrontei com hábitos bastante enraizados em minha mente: pedir um
“drink” quando se está num bar, num restaurante, com os amigos e mesmo
num encontro com a mulher amada. Porém descobri que essas regras e
padrões sociais são perfeitamente dispensáveis, pois não é a bebida
alcoólica que faz esses momentos especiais, mas quando compartilhamos
nossas emoções com serenidade. No entanto, para quem não tem problema
com o álcool é muito bom, mas para um bebedor-problema essas ocasiões
podem se tornar em sérios incômodos. Na verdade, quem é chegado a “tomar
umas e outras” sempre fica de “fogo”, cria situações preocupantes, faz
“palhaçadas” e torna-se ridículo e aberto a críticas contundentes que o
tornam chato e agressivo.
Na minha experiência de
A.A. descobri que a fé pode curar a dor e despertar a coragem
inteligente para se atravessar o “vale das sombras”, apenas com uma
tocha de luz erguida para o alto. Embora eu tenha bebido minha fé em
doses de insensatez por muito tempo, nasceu em mim à determinação de
resgatá-la dos escombros que envolviam minha alma. E com a vontade de
vencer despertada dentro de mim, iluminei o caminho do meu coração com
alegria e aprendi a me reconciliar comigo mesmo e com o sofrimento.
Ainda hoje, aos 53 anos
de idade, sinto vontade de beber em certas ocasiões, porém não desejo
voltar a beber. Com certo tempo de sobriedade apoiada pelos Alcoólicos
Anônimos é que percebi que para se libertar do desejo de beber é
necessário “plantar” e “regar” o desejo de não beber. Assim, compreendi
finalmente, o primeiro ensinamento de A.A.: “Para ser membro de A.A.
basta o desejo sincero de abandonar a bebida”. Graças a esse novo hábito
que introduzi na minha vida, descobri que não preciso de bebidas
alcoólicas para nada e que o grande segredo de Alcoólicos Anônimos está
na próxima reunião.
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