Fui
para o meu quarto e fiquei na maior expectativa do meu pai ler os
folhetos que eu trouxe.
Por
isso nem pisquei os olhos a noite inteirinha. Pensei que se eu os
piscasse, pelo menos uma vez, eles iam querer continuar fechados a noite
até de manhã, então eu segurei firme!
Aproveitei para pensar um pouquinho sobre o que eu iria escrever no
concurso de redação que vai ter em todas as escolas públicas e
particulares de Belo Horizonte. O tema é livre e eu vou poder escrever o
que eu quiser. Êbaaa!!!! É um concurso pra lá de legal e se eu escrever
bem direitinho e conseguir tirar o primeiro lugar, vou ganhar um
computador novinho em folha, com impressora colorida e tudo.
Pensei
tanto que minha cabeça ficou até zonza e os meus olhos ardendo parecendo
que estavam cheios de areia. Deve ser porque eles queriam dormir e eu
não deixei, né?
Bom,
depois de uma certa hora, olhei para a janela e vi o dia me dar bom dia.
Será
que meu pai já leu os folhetos? Perguntei pro Sol. Mas, como sol não
fala...
Saí bem
devagarzinho do quarto e levei um baita susto quando vi meu pai de
cabeça baixa, deitado por cima dos seus braços cruzados, em cima da
mesa. E os folhetos abertos debaixo dos braços dele. Então eu o chamei
bem baixinho:
-Paiê...Paiê...
Ele levantou a cabeça e vi que seus olhos estavam bem vermelhos. Acho
que esta foi a primeira vez na minha vida que eu vi o meu pai chorar.
Ele
então abriu seus dois braços bem abertos e me deu um super abraço. Este
foi o quinto abraço que dei no meu pai até hoje. Mas, foi um abraço tão
forte que valeu por toda a minha vida!
Ninguém
disse nada. Nem eu e nem ele. Só choramos...Um tempão! Depois, meu pai
me deu um beijo que molhou toda a minha bochecha e me disse assim:
- “Filho, deixa disso. Eu não sou doente não! Eu paro de beber quando eu
quiser. Eu estou bebendo um pouco mais agora porque estou sem emprego e
isso me deixa muito nervoso. Mas, hoje mesmo vou procurar um emprego. Aí
você vai ver, eu nem vou beber mais, eu prometo!
Eu dei
um beijo nele também e disse: