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Na trilha do destino ®
Marília
Teixeira Martins
Nesta manhã, deixei os artigos
em casa debaixo do meu travesseiro e fui para a escola.
Mas, eu não conseguia deixar de pensar neles. Assisti as aulas,
com uma vontade danada de voltar para casa rápido e ler um a um,
e aprender mais um pouco sobre as drogas. Queria entender também
porque meu pai bebia tanto. Tinha que ter uma explicação para
ele ficar mais tempo no bar do que na nossa casa... Estava tão
ansioso que eu não parava quieto e chutava a carteira do meu
colega todo o tempo.
Finalmente eu
escutei um trimmmm... trimmm... Era sirene da escola avisando
que a aula tinha terminado. Mal ela começou a tocar, no primeiro
trimmm, eu já sai correndo da sala, sem nem olhar para trás.
Chegando em casa, fui direto pegar a revista com os artigos. Ufa,
finalmente!
Cada pedacinho
que eu lia, o meu coração batia forte e apertava, batia forte e
apertava. Percebi que as letras estavam ficando todas embaçadas
e eu nem mais enxergava direito. Eu estava era chorando e
molhando todo o meu travesseiro. Eu chorava por mim, por meu
pai, por minha mãe, por meus irmãos menores, por causa dessa
doença danada que morava dentro da minha casa e por
milhares de jovens e adultos que estão presos e submetidos às
drogas.
Resolvi nem ir
trabalhar naquela tarde. Ia ficar lendo e chorando o tanto que
eu quisesse. Seo Joaquim costuma dizer que homem não chora, mas
eu nem liguei para isso. Chorei muito. Eu queria me esvaziar e
ao mesmo tempo me encher de informações. À noite, perto da minha
casa, ia ter um jogo do Atlético e do Cruzeiro e lá teriam
muitos carros para eu olhar. Por isso eu nem me preocupei em não
ter ido trabalhar à tarde.
Bom, nem precisa
dizer que eu li, ou melhor, engoli todos os artigos naquela
tarde mesmo, né? E quando eu terminei de ler todos e de chorar
tudo o que eu queria, fui até a creche buscar meus irmãos. Foi
aí que eu me dei conta que eu nem tinha almoçado. Tinha me
contentado apenas em “comer” os artigos da revista do Seo
Joaquim. Quando estava saindo de casa, avistei meu pai
subindo do bar, como sempre cambaleando. Falei só um “Oi pai”
rapidinho e desci o morro correndo para buscar meus irmãos.
Quando eu chegar preparo alguma coisa para a gente comer e vou
para a porta do campo olhar os carros, eu pensei ...
Tchau
pessoal, até a próxima história. Zezinho Birigote. __________
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