Sou
psicóloga atuando também na área de Dependência
Química, tema que sempre me fascinou. E falar
sobre ele eu sei, exige cautela. Por
outro lado, tornou-se um desafio em minha vida.
Costumo dizer que eu não o escolhi, o tema me
escolheu. Mas, porque e para que? Confesso que
durante muito tempo, busquei respostas para esta
indagação pessoal, e por mais incrível que possa
parecer, ainda não as encontrei. Resolvi
então, aceitar, me entregar ao “chamado” e agir.
Criei este site como o resultado direto de uma
dessas ações. E agora, uma ousadia ainda maior:
a publicação deste livro com alguns artigos já
divulgados. Um desafio, um sonho, uma realidade. Trabalho com o dependente
químico desde sua rendição e pedido de
ajuda, passando por seu processo efetivo de
recuperação e pela constante sombra da
recaída... Até sua libertação dos químicos.
Enfim, por sua incessante busca de crescimento e
de reencontro consigo mesmo.
Como uma criança que nasce e passa por vários
estágios até seu completo caminhar, o dependente
químico que quer vencer alcança sua sobriedade e
recuperação. Resgata tudo e todos que
perdeu em função de uma doença tão devastadora,
deixando de ser o “escolhido”, abraçando com
muita dignidade e garra sua liberdade em
“escolher”.
Conheço de perto a luta que enfrentam. Portanto,
a todos que optaram por sua sobriedade e
recuperação e àqueles que ainda não optaram mas
estão a caminho, o meu profundo respeito e
admiração. Marília
Teixeira Martins (21/06/2006)
-
Psicóloga Clínica
- Reg:3145/04 - Insc:30/02/1982
REINVENTANDO-SE
®
Marília Teixeira Martins -
Direitos Autorais ® Lei
9610
Transformar o rumo de uma história que vivemos há
anos é um processo difícil e lento, eu sei. É como
se precisássemos mudar para uma outra casa e ainda
termos que trocar toda a mobília.
Mudanças nos dão trabalho e não se limitam apenas em
trocar os endereços das contas. Nos causam
desorganização, a perda provisória de nossas
referências e até mesmo algumas nuances de nossa
identidade. É como se nos despirmos por um tempo de
nossos velhos hábitos, podendo gerar um enorme
vazio.
No
entanto, não é prudente esquecermos de nossa antiga
moradia, negando nosso passado. Ainda que ela
estivesse caindo, as boas lembranças merecem ser
guardadas, e as ruins, olhadas com realismo. É
preciso, contudo, acreditarmos que nossa nova casa,
no devido tempo, vai se organizar, se mobiliar e seu
jardim florescer, e com ele, a grande oportunidade
de reaprendermos a viver e a nos reinventar.